16 de janeiro de 2016

Capítulo da Semana #9 - Detalhe Final

Olá pessoal, como estão??? Espero que tod@s bem! Hoje vim trazer para vocês o primeiro capítulo de um livro que li faz pouco: Detalhe final de Harlan Coben. Vamos acompanhar!

O agente esportivo – e detetive ocasional – Myron Bolitar está num verdadeiro paraíso. Divide uma praia caribenha com Terese, uma mulher deslumbrante que acabou de conhecer – uma forma perfeita de se recuperar da perda recente de uma amiga querida. Seu retiro é interrompido por Win, seu amigo e parceiro em inúmeras investigações. Ele não traz boas notícias: um dos clientes mais antigos de Myron, o problemático Clu Haid, arremessador dos Yankees, foi assassinado e a principal suspeita é Esperanza, melhor amiga e sócia de Myron. De volta a Nova York, Myron está determinado a provar a inocência de Esperanza, mas os obstáculos são maiores do que imaginava. Para desvendar o crime, Myron terá de encarar o submundo nova-iorquino e abrir feridas antigas que podem ser o seu fim. Com reviravoltas, cenas e diálogos inesquecíveis, temperados com um delicioso humor, Detalhe final tem tudo o que fez de Harlan Coben um fenômeno literário e vai surpreender o leitor até a última página.


Capitulo 1



Myron estava estirado ao sol ao lado de uma morena deslumbrante que usava um biquíni infernal. Tinha na mão um drinque tropical enfeitado com um pequeno guarda-chuva e seus pés eram refrescados pela água transparente do Caribe. A areia era um pó branco ofuscante, o céu estava de um azul tão puro que só podia ter sido pintado por Deus, os raios de sol suaves como uma massagem após um gole de conhaque. Apesar disso, sentia-se absolutamente infeliz.
Ele e Terese estavam naquele lugar paradisíaco fazia umas três semanas, calculava Myron. Não se dera o trabalho de contar os dias. Nem Terese, imaginava ele. A ilha parecia tão remota quanto aquela do seriado dos Birutas: sem telefone, pouca iluminação, nenhum carro e muito luxo – não tinha muito a ver com a ilha de Robinson Crusoé; na verdade nem era tão primitiva. Myron balançou a cabeça. Você pode até tirar o garoto da frente da televisão, mas não dá para tirar a televisão da cabeça do garoto.
No meio da linha do horizonte, vindo em sua direção com um rastro branco na água azul, surgiu um iate. Myron sentiu um aperto no coração.
Não sabia onde estavam exatamente, embora o lugar tivesse um nome: Saint Bacchanals. Sem brincadeira. Tratava-se de um microcosmo pertencente a uma dessas megaempresas de cruzeiros, que reservava uma parte da ilha para que seus passageiros nadassem, fizessem churrasco e desfrutassem um dia num “recanto paradisíaco particular”. Privativo. Só eles e mais outras duas mil pessoas, espremidas numa pequena faixa de areia. Sim, muito particular. Feito uma bacanal.
Porém o lado da ilha onde estavam era muito diferente. Havia apenas uma casa, um misto de cabana com telhado de palha e sede de fazenda rica, que pertencia ao presidente da empresa de cruzeiros. A única pessoa no raio de mais de 1 quilômetro era um empregado. População total: talvez trinta pessoas, todas a serviço da empresa.
O iate desligou o motor e chegou mais perto.
Terese Collins baixou os óculos escuros e franziu o cenho. Fazia três semanas que nenhuma embarcação (exceto transatlânticos gigantescos, que possuíam nomes sutis como Sensation, Ecstasy ou Orgasm) passava por aquela praia.
– Você contou para alguém que estamos aqui? – perguntou ela.
– Não.
– Talvez seja John.
John era o já mencionado presidente da empresa de cruzeiros, amigo de Terese.
– Não creio – disse Myron.
Terese e Myron haviam se conhecido fazia pouco mais de três semanas. Terese, que era âncora de um programa do horário nobre na CNN, estava “de férias”. Os dois tinham se encontrado ao acaso em um evento beneficente a que foram apenas porque amigos os obrigaram. Como se a tristeza e o sofrimento mútuos fossem magnéticos, sentiram-se imediatamente atraídos um pelo outro. O caso começou como pouco mais que um desafio: abandonar tudo e fugir. Desaparecer com alguém que você acha atraente e mal conhece. Nenhum dos dois descartou a ideia e, doze horas depois, chegaram a St. Maarten. Mais 24 horas e ali estavam eles.
Para Myron, um homem que havia dormido com um total de quatro mulheres em toda a sua vida, que nunca tivera uma noite de sexo casual (nem na época em que isso era moda e não representava risco iminente à saúde) e que jamais tinha transado só pela sensação física, sem os entraves do amor e do compromisso, a decisão de fugir se mostrara surpreendentemente fácil.
Não dissera a ninguém aonde ia nem por quanto tempo – sobretudo porque ele próprio não fazia a menor ideia. Tinha ligado para os pais e lhes dito que não se preocupassem – o equivalente a pedir que criassem guelras e aprendessem a respirar debaixo d’água. Enviara um fax a Esperanza passando-lhe uma procuração para gerir a MB Representações Esportivas, a agência em que eram sócios. Não havia nem telefonado para Win.
Terese o observava:
– Você sabe quem é.
Myron não disse nada. Seus batimentos cardíacos se aceleraram. O iate se aproximou. A porta da cabine da frente se abriu e, como ele temia, Win apareceu no convés. O pânico o deixou sem fôlego. O amigo não era o tipo de pessoa que fazia visitas casuais. Se estava ali, era porque algo não ia bem.
Myron se pôs de pé. Estava ainda longe demais para gritar, então optou por um aceno. Em resposta, Win balançou ligeiramente a cabeça.
– Espere um instante – disse Terese. – Aquele ali não é o herdeiro da Lock-Horne Seguros?
– É.
– Eu o entrevistei uma vez quando o mercado entrou em crise. Tem um nome comprido e pomposo.
– Windsor Horne Lockwood III – falou Myron.
– Isso. Um cara bem peculiar.
Ela nem imaginava quanto.
– Lindo como um deus – continuou Terese. – Naquele estilo família rica e tradicional, country clube, nascido com um taco de golfe de prata nas mãos.
Como se estivesse ouvindo, Win passou a mão pelas madeixas louras e sorriu.
– Vocês têm algo em comum – observou Myron.
– O quê?
– Os dois acham que ele é lindo como um deus.
Terese estudou o rosto de Myron:
– Você vai voltar – falou ela, com um toque de apreensão na voz.
Myron concordou com a cabeça:
– Win não viria até aqui à toa.
Ela pegou a mão de Myron. Foi o primeiro momento de ternura entre eles em três semanas, desde o evento beneficente. Podia soar estranho – amantes sozinhos numa ilha, fazendo sexo dia e noite, mas sem nunca ter dado um beijo suave, ter feito um carinho ou trocado palavras de afeto –, porém aquele relacionamento era do tipo esquecer e sobreviver: duas almas desesperadas caídas sobre escombros, sem nenhum interesse em tentar reconstruir o que quer que fosse.
Terese passava a maior parte dos dias fazendo longas caminhadas sozinha; ele, sentado na praia, exercitando-se e, às vezes, lendo. Encontravam-se para comer, dormir e fazer sexo. Tirando isso, deixavam-se a sós para – se não exatamente se recuperarem – evitar que os problemas viessem à cabeça. Myron percebia que ela também estava destroçada, que alguma tragédia recente a atingira com força. Porém nunca perguntara o que havia acontecido. Nem ela.
Era como uma regra tácita daquela pequena loucura.
O iate parou e lançou âncora. Win desceu num bote motorizado. Myron esperou. Ficou inquieto, trocando o pé de apoio, preparando-se. Quando o bote já estava perto o bastante da praia, Win desligou o motor.
– Meus pais? – perguntou Myron.
Win balançou a cabeça:
– Estão bem.
– Esperanza?
Ligeira hesitação:
– Está precisando da sua ajuda.
Win pisou com cautela na água, quase como se esperasse que ela suportasse seu peso. Vestia uma camisa branca de botões e short estampado, de uma cor berrante o suficiente para espantar um tubarão. O yuppie dono de iate. Tinha um porte mais para esbelto, porém os braços eram fortes como se cobras de aço se enrolassem sob a pele.
Terese se pôs de pé para receber Win, que a admirou sem dar mostras. Myron conhecia poucos homens que conseguiam aquilo. Educação. Ele pegou a mão de Terese e sorriu. Os dois trocaram amabilidades. Sorrisos falsos e comentários inúteis se sucederam. Myron permaneceu imóvel, sem escutar. Terese pediu licença e se dirigiu à casa.
Win a observou com atenção enquanto se afastava. Depois disse:
– Um derrière de primeira linha.
– Está se referindo a mim? – perguntou Myron.
Win manteve os olhos intensamente concentrados no, digamos, alvo:
– Na televisão ela está sempre atrás daquela bancada – observou ele. – Ninguém imaginaria que tem esse derrière fenomenal. – Ele balançou a cabeça.
– Um desperdício, realmente.
– É mesmo! – retrucou Myron. – Talvez ela devesse se levantar de vez em quando durante o programa. Dar umas voltinhas, se abaixar, alguma coisa assim.
– Você está certo – falou Win, arriscando uma olhada rápida para o amigo. – Aproveite e faça umas fotos durante o sexo, talvez um vídeo.
– Não, isso é para você ou algum astro do rock pervertido.
– Otário.
– Otário, entendi. – Derrière de primeira linha? – Então, qual é o problema com Esperanza?
Terese havia desaparecido pela porta de casa. Win suspirou ligeiramente e se voltou para Myron:
– O iate vai levar uma hora para reabastecer, depois vamos. Posso me sentar?
– O que aconteceu, Win?
Ele não respondeu. Apenas se sentou numa espreguiçadeira, recostando-se. Pôs as mãos atrás da cabeça e pousou um tornozelo sobre o outro.
– Vou dizer uma coisa. Quando você resolve perder a linha, sabe fazer isso com estilo.
– Não perdi a linha. Só precisava dar um tempo.
– Hu-hum – fez Win, olhando para o outro lado.
De repente Myron percebeu tudo: devia ter magoado o amigo. Parecia estranho, mas provavelmente era isso. Win podia ser um sociopata aristocrático de sangue azul, mas, ainda assim, era mais ou menos humano. Os dois eram inseparáveis desde a faculdade, e Myron desaparecera sem dar sequer um telefonema. De certa forma, Win não tinha ninguém além dele.
– Eu ia ligar para você – disse My ron, numa voz débil.
Win permaneceu imóvel.
– Mas sabia que, se houvesse algum problema, você conseguiria me encontrar.
Era verdade. O amigo era capaz de encontrar uma agulha num palheiro.
Win fez um gesto com a mão:
– Deixe pra lá.
– Então, qual é o problema com Esperanza?
– Clu Haid.
O primeiro cliente de Myron, um arremessador de beisebol, agora na reserva, em fim de carreira.
– Que tem ele?
– Está morto – respondeu Win.
Myron sentiu as pernas tremerem ligeiramente. Deixou-se cair na espreguiçadeira.
– Levou três tiros, dentro da própria casa.
Myron baixou a cabeça:
– Achei que ele ia se endireitar.
Win não disse nada.
– Mas o que Esperanza tem a ver com isso?
O amigo olhou para o relógio:
– Exatamente agora – respondeu – ela deve estar sendo presa pelo assassinato dele.
– O quê?
Mais uma vez Win não disse nada. Odiava repetir.
– Estão achando que Esperanza o matou?
– Bom saber que essas férias não prejudicaram seus poderes de dedução – respondeu Win, virando o rosto para o sol.
– Que prova eles têm?
– A arma do crime, por exemplo. Manchas de sangue. Fibras. Você tem protetor solar?
– Mas como...? – Myron estudava o rosto do amigo, que, como sempre, não revelava nada. – Ela fez isso?
– Não faço ideia.
– Você perguntou a ela?
– Esperanza não quer falar comigo.
– O quê?
– Também não quer falar com você.
– Não entendo – disse Myron. – Esperanza não mataria ninguém.
– Você tem certeza absoluta disso?
My ron engoliu em seco. Havia pensado que os acontecimentos recentes o ajudariam a entender melhor Win, que também já matara alguém. Diversas vezes. Agora que Myron também passara por isso, chegara a pensar que se estabeleceria um novo elo, mas não. Pelo contrário. A experiência compartilhada estava cavando um verdadeiro abismo entre os dois.
Win olhou de novo para o relógio:
– Por que você não vai arrumar suas coisas?
– Não há nada que eu precise levar.
Win fez um sinal em direção à casa. Terese os observava em silêncio.
– Então dê adeus à Sra. Derrière e vamos embora.


Gostaram??? Então adicionem o livro a sua estante no Skoob.  Já leram esse livro??? Tem resenha dele no blog já, é só clicar aqui para ler. Quer indicar algum livro bom para aparecer aqui??? Deixem nos comentários, vou adorar responder a tod@s.

Bjoks da Gica.

4 comentários:

  1. É uma conspiração, só pode, todos querem que eu leia o Coben! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Pandora
    O que tem na nossa estante

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    1. Oi Pandora.

      Sim, é uma conspiração. E logo, logo sairá resenha de mais um livro maravilhoso que li dele... Então leia, leia, leia! kkkkkkkk Obrigada pela visita.

      Bjoks da Gica.

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  2. Genteeeeee amoo Harlan Coben, li todos os livros independentes dele exeto "Desaparecido para Sempre" e a trilogia do Mickey Bolitar. Mas não li a série do Myron Bolitar até hoje, porque nem sei por onde começar. 😒

    Esse é o último da série né! Meeu Deus tem muito livro pra ler kkkkk e parece ser tão bom quanto os livros independentes.


    https://colecionandohistoria.wordpress.com/

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    1. Oi Raquel.

      Eu também amo o Coben e o seu modo de escrever. Esse é o primeiro livro do Bolitar que leio, mas foi bem tranquilo, porque, apesar de ser uma série, dá para ler de modo independente. Obrigada pela visita.

      Bjoks da Gica.

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