18 de janeiro de 2017

Capítulo da Semana #13 - Eles Precisam Morrer

Olá pessoal, como estão??? Espero que tod@s bem! Hoje vim trazer para vocês o primeiro capítulo do livro Eles Precisam Morrer. Vamos acompanhar!

Alicia, Clara e Amanda são três adolescentes que vivem em uma pequena cidade do interior e compartilham uma vida de tédio e poucas perspectivas de futuro.
Elas acreditam que os responsáveis pela vida ruim que levam são as pessoas com quem convivem e, aos poucos, a ideia de eliminar algumas pessoas vai amadurecendo até desencadear uma série de mortes e revelações, trazendo um esclarecimento sobre quem realmente é o responsável pela vida de cada uma.




Parte I
O Grande Dia

     - Você não tem coragem - Alicia disse.
     Clara estava tentando criar coragem para pular da ponte, fazia um esforço inútil para se concentrar na água barrenta do estreito rio que havia transbordado.
     - Você não tem coragem de pular - Alicia a ollhava com desprezo.
     Clara, incapaz de assumir sua fraqueza, continuava olhando fixamente para a correnteza do rio, tentando fazer com que sua vontade de se jogar dali superasse seu medo de pular da ponte.
     - Se eu pular daqui, essa correnteza vai me arrastar por quilomêtros, vão me encontrar bem longe - Clara disse. Estava prestes a desistir e sabia disso. Quando a ideia de realmente morrer lhe ocorria, as inúmeras possibilidades de dor e arrependimento invadiam sua cabeça.
     - Morrer deve ser doloroso - com os olhos marejados, Clara virou-se para Alicia. - Mas viver também é.
     Alicia teve como única reação fazer uma cara de nojo. Aquele discurso de Clara já tinha caído no comum, eram sempre as mesmas palavras, era sempre as mesmas frases.
     - Então se joga, não foi para isso que você veio aqui? - disse Alicia, irritada com a situação. Clara se manteve calada e virou-se novamente para a água do rio.
     O dia estava nublado e cinzento, era um dia especial para Alicia. Aquele céu escuro, sem vestígio algum de sol, lhe causava um estranho pressentimento de que nada ocorreria como havia planejado.
     Os dias em Fontana estavam úmidos, chuvosos e com uma atmosfera sombria no ar. Era como se o céu escuro, o vento gelado e incômodo, as chuvas que caíam quase todo fim de tarde e os inúmeros raios que rasgavam o céu, anunciassem uma grande tragédia.
     Alicia sentia o presságio negativo que pairava no ar, tentando se refugiar em uma positividade que nunca tivera. Às vezes, tinha a impressão de sentir a terra girando, era tomada por uma sensação tão grande de inércia que parecia poder perceber as mínimas coisas se movendo ao seu redor.
     Ela vinha de uma longa espera que estava por acabar, uma promessa feita a si mesma e que precisava cumprir. As possibilidades de conseguir êxito, que um dia haviam sido de 100%, estavam praticamente nulas. A descrença em seu plano de vida foi crescendo à medida que ela entrava em contato com a realidade.
     Alicia não era capaz de ter o que desejava. Queria algo com o qual não sabia lidar, ia ao encontro de seu desejo sentindo medo de conseguir. A grande impossibilidade a infurecia, mesmo que ela nada fizesse para que alguma coisa pudesse ser possível.
     Do outro lado da ponte, Amanda fumava seu cigarro barato, olhando para o horizonte onde o sol devia estar se pondo.
     "Acontece alguma coisa..."
     Alicia implorava em pensamento enquanto caminhava vagarosamente na direção de Amanda, mas o que acontecia era o de sempre, o tempo indo embora e ela ficando. Ohou para a estrada que se estendia depois da ponte, imaginando logo estar seguindo aquela direção, indo para longe daquele lugar. Era uma fantasia antiga que parecia impossível de se concretizar. Estranhava experimentar aquele sentimento justamente no tão aguardado dia em que ela colocaria em ação o grande plano de ir embora daquela cidade.
     Amanda olhava para o horizonte como se estivesse vendo alguma coisa além de uma grande massa cinzenta. Fumava seu cigarro quase no fim, concentrada em algo que somente ela podia ver. Alicia parou ao seu lado sem dizer nada.
     - O sol está se pondo agora - Amanda disse, com o olhar distante.
     - Não dá para ver nada.
     - Mas eu sei que ele está lá.
     Alicia ficou observando-a por alguns instantes. Amanda ficava muito distante de uma hora para outra, ia embora num piscar de olhos e só voltava quando queria. Alicia desejava ter esse dom também, ir para qualquer lugar dentro de sua cabeça, fora daquela cidade e longe daquelas pessoas. Mas até sua cabeça esta povoada por tudo aquilo que ela queria se livrar de qualquer maneira, estava impregnada por aquela cidade e por aquelas pessoas. Suspirou fundo e se livrou daquelas palavras que estavam deixando-a sufocada.
     - Eu não quero ir embora, eles devem estar me esperando. Por que fazem isso sempre?
     - Só estão tentando ser legais - Amanda disse, desviando seu ohar para a amiga. - Essa pode ser a última festa de aniversário que você recebe deles.
     - Essaa será a última. Agora eu posso ir embora - Alicia afirmou para si mesma. - Eu estive esperando por isso desde que cheguei aqui.
     Amanda ficou calada e voltou o olhar para onde o sol propavelmente estava se pondo.
     Alicia sentia tudo fora de seu controle, aquele dia tão esperado por ela não era parecido com o que ela havia imaginado durante anos. De certa forma, ela sabia que nada estava em suas mãos e que aquele dia em nada se diferenciava dos outros dias de sua vida, eles apenas aconteciam e ela tinha que lidar com o que viria.
     Ela olhou para o outro lado da ponte e então se sentiu melhor. A triste figura continuava lá. Clara, dezessete anos, obesidade mórbida, autoestima zero assim como seu estímulo de viver. A vida suícida de Clara já havia se tornado algo comum. Alicia caminhou na direção da amiga, por quem às vezes sentia pena, às vezes desprezo, às vezes os dois misturados como naquele momento.
     - Você não vai pular, não tem coragem - Alicia deu um leve tapa no ombro de Clara e virou-se para ir embora.
     Clara começou a chorar como fazia ao fim de todos os seus inúmeros fracassos.
     - Vamos embora, Clara. Você tem uma vida inteira pela frente para morrer - Amanda gritou do outro lado da pontee seguiu Alicia.
     Clara permaneceu parada, observando as amigas partirem lentamente, sentia que ninguém se importava com sua dor. Quando Alicia olhou para trás, Clara começou a se mover e seguiu com passos arrastados, como se quase não tivesse forças para levantar os pés do chão.
     Alicia não olhava para Clara, olhava para o outro lado da ponte, a rua que a levaria para longe daquela cidade que ela tanto detestava. A cidade para onde ela voltava. A cidade para onde ela sempre voltava. Do outro lado da ponte estava a direção contrária que ela queria seguir, a rua que a livraria de todo aquele inferno, a rua que estava esperando por ela há muito tempo.
***


E aí, gostaram??? Então adicionem o livro a sua estante no Skoob. Já leram esse livro??? Tem resenha dele no blog já. Quer indicar algum livro bom para aparecer aqui??? Deixem nos comentários, vou adorar responder a tod@s.

Bjoks da Gica.

Um comentário:

  1. OIE,

    Amei a capa, vou ler!

    Abraços...

    http://submundosliterarios.blogspot.com.br/

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